Onda de crimes: «Não percebo silêncio de Sócrates»

Social-democrata José Luís Arnaut não percebe porque o primeiro-ministro «não tranquiliza os portugueses». Sobretudo quando a nova Lei de Segurança Interna «define que toda a competência depende do primeiro-ministro»

É presidente da Comissão de Relações Internacionais do PSD e um elemento próximo de Manuela Ferreira Leite, que apoiou nas últimas eleições internas no partido. Em entrevista ao Diário Económico, publicada esta quinta-feira, diz não perceber «o silêncio de José Sócrates sobre a segurança» e recorda que a Lei de Segurança Interna «define que toda a competência depende do primeiro-ministro».

«O que não consigo perceber é o silêncio do primeiro-ministro. O país vive situações de violência dia atrás de dia. (…) Hoje que a lei orgânica determina aquilo que José Sócrates quis de ser ele a assumir a responsabilidade e a coordenação da segurança no país, ele não dá uma palavra? Não tranquiliza os portugueses?», interroga-se o antigo ministro, numa entrevista ao Diário Económico.

Para Arnaut, «a questão da segurança não depende de terceiros nem da cena internacional, é da estrita competência do Governo e resulta de políticas erradas, de ilusões vendidas», assegura, numa longa conversa ao jornal económico, onde explica ainda o pedido de demissão do ministro da Administração Interna pedido pelo PSD.

Questionado sobre se a intervenção do social-democrata não pode ser interpretada como demagógica, o dirigente é claro: «Quando está em causa a vida dos portugueses nunca é demagogia. O PSD não pode ficar silencioso perante a indiferença do primeiro-ministro, perante a morte de portugueses e a criação de ondas de insegurança e de intranquilidade social. Não pode ser cúmplice desse silêncio (…)».

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Sobre o silêncio de Manuela Ferreira Leite, José Luís Arnaut olha para a história do partido e mostra a estratégia: «Os líderes que souberam gerir os seus silêncios ganharam eleições: Cavaco Silva e Durão Barroso. Ambos foram acusados de silêncio. O que tenho visto a falar sobre tudo e sobre nada não me lembro que tenham tido bons resultados em eleições. O que importa não é a quantidade, mas a qualidade das intervenções».

Na entrevista, Arnaut fala ainda das eleições nos EUA, na preferência por McCain e do conflito na Geórgia: «A União Europeia não deve abdicar dos seus valores por causa da Rússia», assegura.

(fonte:IOL)

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