“Não há dinheiro para nada”, diz Ferreira Leite

2 de Julho, 2008 as 0:00 | Em Presidência PSD |

Ferreira LeiteA presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, considerou esta terça-feira que «não há dinheiro para nada» porque Portugal está endividado e exigiu que o Governo informe como e quando vão ser pagas as obras públicas projectadas.

Entrevistada na TVI pela jornalista Constança Cunha e Sá, Manuela Ferreira Leite disse não contestar «em particular» nenhum investimento do Governo e alegou que não poderá ter opinião enquanto não conhecer os estudos de viabilidade financeira, os custos e os prazos de pagamento de cada obra.

«Aquilo que me está a preocupar é que vejo um volume astronómico de investimento público para o qual todos sabemos que não há dinheiro. O País não tem dinheiro para isto», considerou a ex-ministra das Finanças. 

Questionada se «o País não tem dinheiro para nada», Manuela Ferreira Leite respondeu: «Eu direi que não tem dinheiro para nada porque o País está de tal forma endividado que não acredito que esteja ali um bocadinho de dinheiro específico para isto».

«Portanto não há dinheiro para nada, nem para as estradas, nem para aeroporto, nem para as barragens?», perguntou Constança Cunha e Sá. «Não, não. De resto o próprio Governo anuncia que nada vai ter de ser pago neste momento. Pior do que isso é que só começa a ser pago em 2014», criticou a presidente do PSD.

Manuela Ferreira Leite exigiu ao Governo do PS «que explicite para cada um dos investimentos como é que o vai pagar, quais são os contratos, quais são as condições em que vão surgir, em que ano surgem os encargos e quais os montantes».

«Não há o direito, não há legitimidade democrática para um Governo tomar decisões cujas consequências caem em cima de outros sem previamente ter dado essa explicação e essas informações», sustentou.

«Não pode um Governo ficar depois perante factos consumados», reforçou.

«Eu tenho o direito de exigir ao Governo essa informação e não vou largar esse ponto», salientou a presidente do PSD

«Obrigar o Governo a esclarecer»

Sobre a sua forma de fazer oposição, Manuela Ferreira Leite avisou no início da entrevista: «Se as pessoas estão à espera que eu todos os dias surja a dizer coisas vão ter que se habituar que não vai ser assim».

Frisando que não está no Executivo, a presidente do PSD argumentou que a sua responsabilidade «é obrigar o Governo a esclarecer as medidas que toma».

«Não é apresentar alternativas?», perguntou a jornalista Constança Cunha e Sá. «Quando me apresentar ao eleitorado em eleições tenho obrigação de apresentar as minhas propostas», respondeu Ferreira Leite, sublinhando que não deve explicações ao Governo.

Ainda quanto às obras públicas projectadas pelo Governo, afirmou ter dúvidas que, «na situação actual», a rede de alta-velocidade ferroviária em Portugal «seja um projecto tão decisivo em termos de crescimento como era» em 2004, altura em que desempenhava as funções de ministra das Finanças.

Crítica a Bloco Central

A presidente do PSD afirmou ainda que ambiciona uma maioria absoluta para o seu partido nas legislativas de 2009 e criticou a ideia da reedição do Bloco Central, considerando-a prejudicial à saúde da democracia.

«Quando me faz uma pergunta do pouco, do assim-assim ou do muito, eu digo-lhe que tenho a ambição suficiente para o muito e não para o assim-assim e muito menos para o pouco», disse Manuela Ferreira Leite.

Depois de ter confirmado que as suas declarações no Congresso do PSD afastaram a possibilidade de reedição do Bloco Central, Manuela Ferreira Leite criticou expressamente essa ideia.

(fonte:IOL)

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