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Os três tenores9 de Maio, 2008 as 14:43 | Em Opinião |Os portugueses estabeleceram com o Governo uma “relação verbal”, marcada pela queixa e pela crítica, mas sem alteração no sentido de voto. Para não fugir a uma regra de ouro, Portugal acontece em ‘slow motion’. O Governo ocupa-se de uma agenda mínima e burocrática, o primeiro-ministro vai seduzindo o País com anúncios e inaugurações e Sócrates ataca os portugueses com a sua nova arma política – o charme tranquilo da falsa humildade. Entretanto, o “País real” começa a sofrer os efeitos de uma crise internacional que o Governo nega ou simplesmente ignora. No quadro perfeito de um “Portugal moderno”, o primeiro-ministro não tem tempo para os “portugueses de baixo”, representantes de um País pequeno e pobre que mais uma vez não se adapta ao formidável ritmo da “modernização”. Como homem de Esquerda, imagina-se que Sócrates sonha com um povo à dimensão da sua obra. Bem do alto das sondagens, Sócrates contempla o País com frieza e calculismo. Todos criticam Sócrates, mas Sócrates domina nos “barómetros” da opinião. Albert O. Hirschman ajuda a explicar a situação. Os portugueses estabeleceram com o Governo uma “relação verbal”, marcada essencialmente pela queixa e pela crítica, mas sem alteração no sentido de voto. A alteração do sentido voto exige uma “estratégia de saída” para os portugueses. A saída do impasse socialista implica uma alternativa viável no quadro da oferta política nacional. Não existe mudança sem opções de mudança. Chega-se finalmente à questão do PSD. Que nos dizem então os três candidatos? Pedro Passos Coelho é o candidato de uma ala mais liberal, preocupado com a livre iniciativa individual e com a visão de um Portugal etéreo, salvo do peso e da inércia do Estado. A tudo isto, Pedro Passos Coelho adiciona algum voluntarismo e o optimismo de quem se prepara para outras aventuras políticas. Pedro Santana Lopes representa um entendimento social-liberal. Santana Lopes pretende ser liberal em relação ao Estado, social-democrata nas questões sociais e conservador nos costumes. No discurso de Santana Lopes sobra ambição e voluntarismo, mas sobra também a imagem de um político que facilmente se convence sob o efeito da sua própria retórica. Quanto a Manuela Ferreira Leite, para além da “credibilidade” e da “autoridade”, reina o silêncio político. E o silêncio tem contribuído para a diminuição do espaço político, talvez no partido, certamente no País. Para os portugueses que procuram uma “estratégia de saída” para o “socialismo moderno”, qual será a partitura política de Manuela Ferreira Leite? (fonte:Diário Economico) Sem Comentários »Alimentação RSS para comentários a este post. O URL para o TrackBack desta entrada: Deixe um Comentário |
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