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O pão e o betão…30 de Junho, 2008 as 13:14 | Em Opinião |A receita de Manuela Ferreira Leite para os tempos que correm - pão para os pobres em vez de betão para as obras - serve, acima de tudo, para retocar a imagem que os portugueses retêm da ex-ministra das Finanças e que não convém nada à nova lÃder do PSD. Santana Lopes disse-o, até com uma ponta de crueldade, num dos debates televisivos sobre as ‘directas’. Enquanto ministra, Ferreira Leite apresentava-se como uma mulher dura e inflexÃvel, uma tecnocrata tão “obcecada” (palavra sua) com os números e as contas públicas que parecia insensÃvel aos dramas provocados pelo aperto do cinto entre os pobres e deserdados, bem como na classe média, que começou aà o seu martÃrio. Naturalmente, esta imagem, ainda muito presente, não se ajusta à s conveniências de uma lÃder da oposição; qualquer candidato a primeiro-ministro precisa de pôr as pessoas à frente dos números pela simples razão de que são as pessoas que votam. Isto não quer dizer que as preocupações sociais de Manuela Ferreira Leite não sejam genuÃnas, ou que não as tivesse quando estava nas Finanças; quer dizer apenas que, nas funções de ministra, não se distinguiu por causa delas e que agora se esforça por isso. Esta reorientação ditada pelas novas circunstâncias pode soar a falso porque aparece como uma mudança artificial de imagem. por mera conveniência táctica, de alguém que pretende afirmar-se pela autenticidade. Dirá a nova lÃder do PSD, como já disse, que, sendo outras as circunstâncias, mudam também as prioridades e daà a proposta de se acudir ao aumento da pobreza com o dinheiro previsto para as obras. Com este raciocÃnio, nenhuma obra pública teria sido feita em Portugal porque a pobreza e a fome, infelizmente, nunca deixaram de estar muito presentes. Além disso, o dinheiro das obras não iria forçosamente para os pobres, tratando-se, como é o caso, de projectos de engenharia financeira com a participação maioritária de investidores privados. Depois, Manuela e os seus estrategas erram noutro ponto, que é o de imaginarem que os eleitores estão cansados de obras públicas, sejam estradas, pontes ou aeroportos. As últimas décadas estão cheias de exemplos que provam o contrário, como se pode ilustrar com a grande feijoada da ponte Vasco da Gama. Por fim, um enunciado geral como este de trocar o betão pelo pão pouco significa em si mesmo se não for acompanhado de um ‘como’, para que o paÃs perceba com clareza quais são as opções do PSD. E Ferreira Leite não o disse até agora. Aliás, Manuela tem feito questão de falar pouco e dizer o mÃnimo com o aparente propósito de resistir à s pressões da agenda mediática. Em tese, é uma atitude correcta, pois se há um erro fatal para os agentes polÃticos é o de não saberem evitar um microfone e tornarem-se escravos dos “media”. Mas, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Se não se explica devidamente, a nova lÃder do PSD não pode esperar que a entendam. (fonte:Expresso) Sem Comentários »Alimentação RSS para comentários a este post. O URL para o TrackBack desta entrada: Deixe um Comentário |
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