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O maior espectáculo do mundo por Domingos Amaral.30 de Abril, 2008 as 16:42 | Em Opinião |A maior parte das pessoas tem uma opinião formada sobre os candidatos a líder, mas poucos sabem o que eles querem para o país. O PSD, toda a gente sabe, nasceu para dar espectáculo! Está no seu DNA dar espectáculo, faz parte do seu cromossoma. Nenhum outro partido português tem esta vocação circense, esta alma de gladiador de circo romano. Só o PSD nos dá, gratuitamente, esta intensidade. O PS raramente se degladiou. Sim, há muito, muito tempo, parecem ter existido umas cisões, umas facções. Soares foi contestado, havia para lá uns eanistas que se colocaram contra ele, mas…isso foi há tanto tempo que já ninguém se lembra. Quanto ao CDS-PP, houve um breve período de zanga entre antigos amigos, Portas e Monteiro, mas a telenovela foi curta e, é importante relembrar, o público nunca era muito. Do Bloco e do PCP nem vale a pena falar. São partidos monolíticos, onde a discórdia não existe, pois transportam dentro deles uma ideia totalitária que não admite a dissidência nem a luta interna. Comparado com os outros partidos, o PSD é realmente diferente. Há sempre uma guerra civil permanente pelo poder, há sempre egos fantásticos a disputar a liderança, há sempre um frenesim conflituoso. Há que admitir que por vezes isso é mau. O país cansa-se, desinteressa-se, olha para o lado, assobia para o ar. Foi um pouco assim na última luta, entre Menezes e Mendes. A época era pouco propícia a entusiasmos, os candidatos não empolgavam, não havia muito a dizer. Os pesos-pesados estavam à margem, à espera, sem grande motivação para descer até à arena e entrar na tourada. Nada disso se passa desta vez. A demissão de Menezes foi surpreendente, mas mais surpreendente ainda foi a avalanche de desejos que mostrou. Num abrir e fechar de olhos, a disputa da liderança tornou-se uma corrida empolgante. Passos Coelho avança, Santana Lopes também, mais Patinha Antão e Neto – pequenos e essenciais personagens que dão um toque surreal à corrida – e por fim, Manuela Ferreira Leite, com direito a grande aclamação e muita solidariedade de notáveis. Entretanto, e à hora que escrevo este artigo, ainda não é certo se Alberto João Jardim se vai ou não candidatar. Uns dias diz que sim, nos outros diz que não, e o ‘suspense’ continua, com o país bem pensante aflitíssimo, a fantasiar o que seria do continente se o vice-rei da Madeira viesse para cá mandar. Portanto, o espectáculo está garantido. E, como é habitual, todos fazem previsões, análises, e as tropas começam a posicionar-se. Quem vão apoiar as “bases” de Menezes? Santana diz que o próprio Menezes o apoia a ele, mas a malta das distritais começa a deslocar-se para os lados de Passos Coelho. Isto está tudo muito fluido, ainda nada é certo e garantido, como convém. O PSD não pode desiludir o país. Ninguém espera uma corrida tranquila, serena, calma. Nada disso. O país espera que os candidatos à liderança do PSD se comportem como gladiadores, e que disputem uma luta até à morte, onde vale tudo menos tirar olhos. Se isso é bom ou mau para o futuro do PSD, pensa-se depois. Agora, é tempo de luta. Como em qualquer guerra civil, há na verdade dois lados. De um lado, está o PSD mais credível, mais tecnocrata, mais social-democrata, e que inclui aquilo que se convencionou chamar o “cavaquismo, o “barrosismo” e ainda o “marcelismo”. Do outro, está o PSD popular, o PSD dos laranjinhas mais emocionais e menos chique, de mão na anca e faca na liga, e que tem como expoentes Santana Lopes, Alberto João Jardim e Menezes. Pelo meio, há uma incógnita, que é Pedro Passos Coelho, uma novidade que ainda ninguém consegue posicionar, e parece ter um pé em cada um dos PSD. É ainda cedo para opiniar sobre as ideias dos personagens. A maior parte das pessoas tem uma opinião formada sobre o ego deles, mas poucos sabem o que eles querem para o país, e qual é a sua estratégia para disputar uma luta com Sócrates. Ser Santana, ser Ferreira Leite, ser Passos Coelho, representa alguma coisa, mas não chega. Além da pessoa, é preciso ter uma ideia sobre Portugal e sobre o que lhe fazer. Até agora, não ouvi ainda nada digno de registo. Mas isto só agora vai começar… (fonte:DE) Sem Comentários »Alimentação RSS para comentários a este post. O URL para o TrackBack desta entrada: Deixe um Comentário |
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