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“Ninguém acredita naquilo que os polÃticos dizem”11 de Maio, 2008 as 10:48 | Em Directas PSD |Aos 67 anos, Manuela Ferreira Leite lança-se na corrida à liderança do PSD com a surpreendente convicção de que as eleições directas a beneficiam - diz acreditar que os militantes “sabem pensar pela própria cabeça”. E se a decisão de avançar foi a mais difÃcil que tomou, agora já só demonstra determinação e vontade. Mas de uma coisa não abdica, a famÃlia. “Não sou liberal” afirma na entrevista ao JN concedida nas instalações da sede de campanha, em Lisboa. E aqui se inclui o gosto pela vida familiar. Na economia, reafirma a social-democracia. O PSD só pode reaver a credibilidade se abandonar aos devaneios populistas e liberais. A fidelidade ao programa social-democrata é, para Manuela Ferreira Leite, a pedra de toque das próximas eleições no partido. Passos Coelho, um dos seus adversários, afirma-se um liberal e fala numa nova etapa. Propõe, por exemplo, a privatização da Caixa Geral de Depósitos. O que pensa destas propostas? Ferreira Leite - Está a dar-me ideias soltas. Ser liberal não é pensar que se vai privatizar a CGD. Não vi ainda das afirmações de Passos Coelho que haja um programa coerente em termos de ficar claro que é liberal. Eu não sou liberal. Seria incapaz de fazer uma sugestão destas em relação à CGD, muito menos no actual momento. É uma proposta desintegrada. O PSD apresentou um programa que em alguns aspectos está a ser seguido pelo PS… Exemplo? Nas parcerias público-privadas… Que o PS já disse que abandona (na Saúde). Aà está um ponto de diferença. É que o PSD não vê nenhum motivo para não se fazerem parcerias público-privadas. Em que áreas? Nos casos em que elas se justificarem. No caso da saúde obviamente não há motivo para que elas não existam. Em todas as áreas em que Estado não tem que ser necessariamente o único actor. Aà o PSD distingue-se completamente do PS. Eu acho que o Estado deve estar ao serviço das pessoas, mas não sozinho. O que deve o Estado fazer e o que não deve? Há certas funções do Estado que só ele pode desempenhar. A Defesa, os Negócios Estrangeiros, a Segurança e a Justiça. Todas as outras áreas, na medida das circunstâncias e disponibilidades, podem ser executadas em parceria. Não há motivo para não ser assim. Defende que este não é o momento para baixar os impostos. Acha que os portugueses estão preparados para ouvir “a verdade”? Eu não disse que não era possÃvel baixar já os impostos. Aquilo que eu digo é que quando as pessoas anunciam que vão baixar os impostos não devia ser permitido fazer esse anúncio. Neste momento ninguém dispõe dos elementos necessários para poder tomar uma proposta dessas. Apenas por eleitoralismo. Acha possÃvel fazer campanha com essa convicção quando a verdade não é simpática? E necessário inovar na polÃtica. Aquilo a que as pessoas estão habituadas é a fazer polÃtica de forma a serem ouvidas e aceites pelos cidadãos. Dizem aquilo que sabem que as pessoas querem ouvir e não exactamente aquilo que podem fazer. A origem do grande divórcio que existe entre os polÃticos e os cidadãos está rigorosamente nisso: é que ninguém acredita naquilo que os polÃticos dizem. Se queremos mudar, temos de ser correctos. E eu não disse que não baixaria os impostos. Neste momento não tenho é o conhecimento da situação das contas públicas. Segundo o primeiro-ministro estão contidas. Não tenho grandes motivos para acreditar em tudo o que o primeiro-ministro diz. Sete anos depois de começarem as restrições, o cenário não melhorou. Estão os portugueses preparados? Estão com certeza preparados para polÃticas sérias e consequentes. Quem atira com ideias para o ar sem qualquer fundamento e coerência não está a ajudar as pessoas. Então, por exemplo, diria em campanha o que fará para estancar o desemprego? Diria com certeza alguma coisa, mas nunca que criaria 150 mil postos de trabalho. Não há ninguém que possa dizer que vai criar um número de postos de trabalho, a menos que queira empregar na própria empresa. O que direi é que estamos numa sociedade em que a iniciativa privada é fundamental e que o Estado deve criar as condições necessárias para o empreendedorismo e a inovação. E por essa via só, o desemprego há de baixar. O Estado ainda tem instrumentos para o fazer? Tem. Deve é agir de forma correcta. Tenho muitas dúvidas sobre se o deve fazer através de investimentos em obras públicas ou agindo naqueles factores que influenciam a iniciativa privada - na formação das pessoas, na desburocratização, na melhoria do sistema de justiça, que é um aspecto importantÃssimo, nos organismos reguladores da concorrência, no sistema fiscal simples e transparente. É prioritária a regionalização do paÃs? Toda a gente já conhece a minha posição acerca da regionalização. Mantenho a mesma ideia. Os problemas objectivos que poderá haver na gestão das diferentes áreas devem ser colmatados com a descentralização. O que acha que Sócrates fez bem? O que fez de melhor foi ter pegado nas orientações polÃticas que o PSD tinha em execução e não as contestar e pegar nelas. Fez bem em ter percebido que não havia outro caminho. Quer concretizar? Todas as medidas de contenção da despesa foram correctas. Por exemplo? A reorganização da rede hospitalar, que é algo que é correcto fazer-se… Está a pensar nas maternidades também? Não só nas maternidades, mas também - obviamente também. Um serviço de saúde tem que dar segurança e prestar bons serviços aos seus utentes. O objectivo deve ser melhorar esses serviços e se, por algum motivo, esses serviços não estão a funcionar bem, reorganizar essa rede é algo que é positivo. Já a forma como foi feito, considero altamente negativa. Portanto, sempre que há orientações desta natureza não tenho nenhum motivo para estar contra. Concordo também com a reforma da Segurança Social… Teria votado a favor dessa lei? Ter-me-ia pelo menos abstido. Teremos o seu PSD a negociar entendimentos com José Sócrates? Eu não tenho uma grande inclinação para os chamados acordos de regime. Lembro-me que o dr. Filipe Menezes fez a proposta de vários pactos e que eu, perante aquilo, não saberia bem qual seria o papel do PSD, o que sobrava para a oposição. O Governo é o Governo, a oposição é a oposição. E só naqueles pontos cujas consequências vão para além [da legislatura], e podem ser pesadas para governos futuros, não sei se falaria de pactos mas devia haver pelo menos informação correcta. Eu pergunto-me se neste momento alguém tem informações correctas sobre os encargos para as gerações futuras que hão de vir de todos estes investimentos que estão a ser feitos. Quais cortaria? O novo aeroporto? O novo aeroporto é uma decisão que está tomada e, mais uma vez digo, não pode haver um Governo que venha atrás e que torne a rever o projecto - isso seria contra os interesses do paÃs. E o TGV? …É um tema em que é necessário reunir bastantes informações - as que forem consideradas necessárias - para que possa tomar uma decisão. (fonte:Jornal Noticias) Sem Comentários »Alimentação RSS para comentários a este post. O URL para o TrackBack desta entrada: Deixe um Comentário |
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