Manuela Ferreira Leite diz que Sócrates sabe que lhe pode fazer frente.

Manuela Ferreira Leite afirmou hoje, em Aveiro, que o primeiro-ministro “passou a ter cuidado e a responder” ao que vem dizendo desde há um mês, porque sabe que lhe pode “fazer frente”.

Procurando passar a mensagem de que é a candidata melhor colocada para credibilizar o PSD e levá-lo a ser alternativa ao PS, Manuela Ferreira Leite disse que a prestação de José Sócrates, no último debate quinzenal na Assembleia da República, “teve muito a ver” com a chamada de atenção para a crise social que tem feito na campanha interna.

“Apressou-se a ir à Assembleia apresentar medidas para a grave crise social. Porque lhe podemos fazer frente, passou a ter cuidado e a responder-nos”, concluiu, acentuando que até agora, a governação socialista tem tido “pouco de social” e o primeiro-ministro, o que tem anunciado no Parlamento “tem sido mais obras e grandes investimentos públicos”.

No encontro de hoje com os militantes de Aveiro, Manuela Ferreira Leite fez poucas ou nenhumas referências directas aos outros candidatos à liderança, mas foi pródiga em recados e observações ao Executivo, nomeadamente ao afirmar que “o problema do país já não é de contas públicas, é social e essa é a prioridade que o Governo tem de enfrentar”.

Concordou com José Sócrates de que é preciso captar investimento e estimular o crescimento económico para reduzir o desemprego, mas questionou o primeiro-ministro sobre como pensa resolver as dificuldades de hoje porque esse efeito na economia leva o seu tempo.

“O PSD tem o dever de procurar novas soluções, para as quais é preciso dinheiro, mas há muito dinheiro mal aplicado e preparam-se investimentos que, neste momento, merecem a nossa condenação porque é preciso saber dizer qual é a prioridade”, comentou, referindo “um conjunto de projectos pesados na utilização de recursos”.

Para a candidata a líder do PSD, “o Governo não se esforça por fazer bem, vai fazendo” por falta de uma oposição credível que cabe ao seu partido desempenhar, para o que precisa de “um novo presidente, com outro perfil”, para conduzir o PSD ao seu lugar de partido de poder, ou de alternativa ao poder.

Disse candidatar-se pela situação de emergência em que o PSD se encontra, correndo o risco de ser um partido sem grande expressão eleitoral, pelo que as eleições internas não são apenas para escolher mais um presidente, mas ocorrem num momento decisivo para o partido.

“O PS está a governar com razoáveis sondagens, apesar das dificuldades que as pessoas estão a sentir. O Governo tem governado pior porque não tem tido uma oposição com força. Temos de acabar com isto e dar voz às preocupações de natureza social, porque não há democracia saudável sem partidos alternativos”, disse.

Alertou para o crescimento dos partidos de esquerda, questionando se haverá na União Europeia outro país em que a esquerda tenha tanto peso: “quem está insatisfeito com o PS vai fugir para o BE e PCP e não podemos deixar que isso aconteça”.

Manuela Ferreira Leite advertiu ainda que “um posicionamento menos forte nas legislativas pode ter um efeito de contágio nas autárquicas, prejudicando o PSD que é o partido com maior implantação autárquica”.

(fonte:Lusa)

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