Ferreira Leite faz regressar o velho PSD.

29 de Abril, 2008 as 4:50 | Em Directas PSD |

Manuela Ferreira LeiteA sala do primeiro andar da sede do PSD foi pequena de mais para tanta gente, muita da qual há muito não aparecia. Manuela Ferreira Leite chegou com meia hora de atraso, entre sorrisos, palmas entusiásticas e beijos que não eram de circunstância. No púlpito lia-se a mensagem “Por Portugal, pelo PSD”.

“Esta é a primeira manifestação pública de âmbito nacional do PSD em que participo desde há seis anos”, revelou, António Capucho. Outra pessoa presente era Leonor Beleza, que não ia à sede desde o avanço de Marques Mendes, em 2005. E lá estavam os amigos cavaquistas Isabel Mota, Rui Carp e Alexandre Relvas, que admitiu estar disponível para ajudar Manuela, nas legislativas, como ajudou Cavaco em 2006, nas presidenciais.

“Esta foi, talvez, a decisão política mais difícil que tomei até hoje”, confessou a candidata a líder, num discurso lido duas vezes, a segunda para que os que ficaram fora da sala também o ouvissem. “Incomoda-me muito a falta de respeito com que começam a tratar-nos. Não merecemos”, defendeu Ferreira Leite.

A mensagem foi sobretudo para os militantes. Não falou de nomes, mas todos sabiam de quem falava. Apontou a “teia de sucessivas crises internas”, explicou que o partido “perdeu a credibilidade” e garantiu que “os portugueses já começam a não nos ouvir”.

Apresentada a situação, eis a receita que se resume numa palavra “Responsabilidade”. Faltava apenas o apelo, bem centrado nas directas e na consciência de que estas eleições internas não são favas contadas: “Estas eleições não são mais um acto eleitoral ao qual se pode ficar indiferente. Tenhamos consciência de que o resultado é decisivo para o nosso futuro”.

Para quem duvidasse, ficou o aviso o objectivo é ganhar as eleições legislativas, mas também evitar um “efeito de contágio muito grave” de um mau resultado face ao PS nas autárquicas. Leia-se que os adversários internos não esperem que entregue as armas se perder a primeira batalha.

Após o apelo à mobilização, a promessa de fazer as reformas que acusa o Governo de não aplicar. Agora, irá entrar na estrada. As assinaturas eram recolhidas ontem na sede e hoje (em Lisboa) decorrerá a primeira iniciativa.

O objectivo, agora, é ganhar “credibilidade”, apontava António Capucho. “O partido bateu no fundo”, lançou o autarca de Cascais, apontando que, “antes de ganhar eleições, é preciso ter um partido com credibilidade perante a opinião pública e que não ande de rastos”.

Um retrato semelhante foi traçado por Rui Rio “O PSD está a viver uma crise profunda equivalente à dos inadiáveis em que Sá Carneiro perdeu mais de metade do grupo parlamentar. Só que aí não tinha 34 anos de história”.

Para Rui Machete, a candidatura de Manuela Ferreira Leite é “a esperança numa refundação do partido, que bem precisa”. A um ano de eleições, o calendário não parece assustar. “Se o partido for credibilizado, há tempo para retomar a Oposição e para que a regra da alternância possa funcionar. Isso de não haver tempo é um mito”, apontou o ex-líder.

Rui Rio admite ter sido preferível “ir construindo uma alternativa ao longo da legislatura”, mas que um ano é suficiente. A fórmula avançada foi sempre a de seguir três etapas unir e credibilizar o partido e só depois pensar em vencer as legislativas.

Assim o disse também Aguiar Branco “É a única pessoa capaz de unir o PSD, credibilizá-lo e dar–lhe capacidade de vitória em relação ao PS.” E também José Luís Arnaut: “O PSD precisa de unidade, de credibilidade e só resolvidos estes problemas pode ser alternativa”.

Quanto às qualidades da ex- -ministra para disputar o Poder com Sócrates, coube a Castro de Almeida a resposta mais directa “Os portugueses querem alguém no Governo a quem possam assinar um papel em branco e a dra Manuela é essa pessoa”.

(fonte:JN)

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