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Ferreira Leite é que ninguém ouvia, quando era lÃder parlamentar.30 de Maio, 2008 as 10:51 | Em Directas PSD |
O candidato regressado de outros combates mantém-se de pé. Num registo mais calculado, faz até uma autocrÃtica, mas o essencial do que conhecemos de Pedro Santana Lopes permanece combativo, emotivo, ofendido com quem o critica e profundamente crente na sua capacidade para vencer eleições. Mas duvida da clarificação no PSD, apesar de ser esta a razão por que se candidata. OlÃder parlamentar do PSD procurou demonstrar como conhece os dossiês e tem quem o ouve e leva a sério. JN|Acha que as feridas no PSD vão sarar? Pedro Santana Lopes|Acho que esta campanha demonstra que há incompatibilidades que são difÃceis de ultrapassar. As declarações que a dra. Manuela Ferreira Leite faz hoje [ontem, na revista "Sábado"] demonstram isso. Há um conjunto de militantes que fazem um juÃzo sobre outros com base em insinuações que não se entendem, que se traduzem em comportamentos de não-colaboração. É, portanto, para si insanável o que se passa no PSD. Muito dificilmente sanável por causa destes comportamentos. Pela minha parte, já o demonstrei, não tenho problemas em trabalhar com pessoas que não pensam como eu. A mim preocupa- -me a obstinação preconceituosa. Voltamos ao mesmo se ganhar, os crÃticos saem? Não quero dizer sair, mas se não são capazes de trabalhar com alguém, que o assumam. O que não podem é continuar a obstaculizar a vida do partido. O que é obstaculizar? A crÃtica é um obstáculo? Há crÃticas e crÃticas. Há a crÃtica construtiva e há a crÃtica arrasadora. Quando há um militante que, por exemplo, a propósito de regulamentos de quotas fala em “lavagem de dinheiro”, isto atingiu o cúmulo. O dr. Pacheco Pereira tem dito as maiores barbaridades sobre o partido, sobre os militantes de base. É um cúmulo dizer que o dr. Santana Lopes é populista? Populista? Se há algo que está demonstrado na campanha, desculpe a presunção, é que conheço todos os dossiês melhor que qualquer dos outros candidatos. E não é só por ter sido primeiro-ministro. Sou populista em quê? Ser populista não significa não conhecer dossiês. Mas em que é que se traduz o ser populista? Hugo Chávez, por exemplo… Se me está a comparar a Chávez… Não, mas a Berlusconi… (Risos). Mas, em quê? Nas decisões que tomo? Ainda agora, um jornal faz um retrato do debate da SIC, dizendo que defendi a baixa do ISP e que só Ferreira Leite defendeu que não. E que foi alvo de um ataque pessoal, quando foi ela que começou com o ataque, nomeadamente com o ataque ao grupo parlamentar, quando eu não fiz nenhum ataque a ninguém! Ataque pessoal, não, mas foi claramente alvo de crÃticas. Mas foi ela que atacou primeiro, que disse “os senhores estão na Assembleia e ninguém vos ouve”. E ouvem? Ouvem. Mais do que ouviam a ela quando foi lÃder parlamentar. Os meus debates com José Sócrates muita gente os ouve. A ela é que ninguém ouvia nenhum debate que fazia quando estava na Assembleia. Sente-se levado a sério pelo que diz no partido e no Parlamento? (Pausa) Não vou responder a essa pergunta, porque acho que há perguntas que são ofensivas… Sinto-me muito mais levado a sério do que a senhora é! Eu tenho uma vida que fala por mim, tenho acções que falam por mim, sou coerente! Mas quando Manuela Ferreira Leite afirma que o PSD não é ouvido desde o seu Governo, não é isso que está a dizer? Há pessoas que sabem que sou um homem livre, com um caminho próprio, e sabem que tendo a ganhar eleições - excepto na situação em que caÃ, por culpa minha, de armadilha polÃtica. Armadilha? Culpa minha, uma situação pantanosa, se quiser. Era uma situação de uma imensa fragilidade polÃtica. Está a dizer que foi uma armadilha a passagem de poder de Durão Barroso? Não digo a passagem de poder, mas a situação em que me encontrei depois de tomar posse - envolvido por um ciclo de poder que não tinha escolhido, portanto numa situação fragilizada. As pessoas declaravam-me quase proscrito politicamente e agora… Como é que alguém, que ninguém leva a sério, ganha debates, segundo os comentadores? Se estivesse a comentar alguém que não levasse a sério, dizia “Esse não interessa”. Não estava a falar dos jornalistas, mas dos seus companheiros. O sentido da pergunta, se o levam a sério, é esse. Ah, então, peço desculpa. Da parte de alguns companheiros meus de partido, admito que exista isso e que me sinto ofendido, sinto. As pessoas têm dificuldade em compreender como é que consigo estar aqui outra vez depois de ter sido quase erradicado por elas, como é que sou eu que estou a liderar o grupo parlamentar e a fazer os debates com José Sócrates. Em legislativas, poria a cruz no quadradinho com a cara de Manuela Ferreira Leite? Como militante do PPD/PSD, e sendo ela a escolhida, sim. Votaria nela. Mesmo achando que o caminho dela é igual ao de José Sócrates? Nunca fiz essa afirmação porque para um militante do PSD seria injurioso. A receita de governação é semelhante e surpreendeu-me mais que José Sócrates a tenha seguido do que Manuela Ferreira Leite. Se eu não quisesse votar no lÃder do meu partido, então saÃa. Faz parte dos deveres dos militantes respeitar os lÃderes e apoiar as decisões do partido. Eu votei Carmona Rodrigues e Paula Teixeira da Cruz, sabe Deus o que me custou, porque eram candidatos do meu partido. Sá Carneiro dizia que o paÃs está à frente do partido. Não terá razão quem duvida votar num candidato do qual discorda? É um debate que nunca foi feito. Mas, então, temos de mudar os estatutos dos partidos, porque se os militantes não estão obrigados a apoiar os lÃderes dos partidos a que pertencem, isto passa a ser diferente. Eu acho que estamos obrigados. É preciso uma cisão, nesse caso, ou a diversidade de polÃticas é boa para o PSD? É bom para o PSD poder escolher entre linhas diferentes. Mas já ouvi Pacheco Pereira dizer que, se eu ganhar, tinha de começar a pensar-se em fazer uma nova formação polÃtica. Eu candidatei-me pela clarificação. Às vezes, pode ser boa, outras vezes, pode ser insustentável. Eu não desejo esse caminho. Quero sentir-me legitimado a partir de sábado para agir do modo como entender. Há um ano, disse ao JN o seguinte “Se vir a polÃtica como uma prova de fórmula 1, é impressionante como se demora cada vez menos tempo a ir à s boxes. Mas não se deve ir à pista antes do reabastecimento terminar”. É cedo de mais? Não, não. Já fiz o reabastecimento. Podia fazer como outros e ficar à espera para o pós-2009. Mas era a minha obrigação fazê-lo. Acha que está a arriscar tudo? Ou está pronto para mais voltas? Já demonstrei… ainda ontem estava a ver um filme onde entrava Winston Churchill, sobre a abdicação do trono de Eduardo VIII. E Churchill dizia “Não há mortes em polÃtica. Na vida há uma, mas na polÃtica há várias”. Tenho a obrigação de pensar no meu paÃs. É possÃvel ganhar o partido sem as elites? Há muitas elites da sociedade e até do PSD que não têm estado no activo mais imediato. O que parece é que falar das elites no PSD se tornou quase um anátema. Que só se pode falar das bases. Não acha que alguém dizer de si próprio que é elite que é algo de profundamente cretino?! As pessoas que falam de elite, estando a falar de si próprias, deviam parar para reflectir um pouco e ter noção do ridÃculo. Quando se fala de elites, é de elites em que sentido? Será beleza estética? Elite de quê? Reconheço que Pacheco Pereira pertença a alguma elite intelectual… (fonte:Jornal Noticias) Sem Comentários »Alimentação RSS para comentários a este post. O URL para o TrackBack desta entrada: Deixe um Comentário |
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