Ferreira Leite diz ter obrigado o PS a “cerrar fileiras”

Manuela Ferreira Leite classificou ontem à noite como “grande vitória” da sua campanha à liderança do PSD “o apelo feito pelo ministro Santos silva nas Jornadas parlamentares do PS para um cerrar de fileiras” entre os socialistas.

No seu último acto de campanha no distrito do Porto, durante um debate na Maia com militantes e dirigentes partidários, Ferreira Leite considerou que se deve às mensagens e à imagem transmitidas pela sua candidatura as alterações que diz ver no comportamento dos socialistas.

Recordando que “há 15 dias o primeiro-ministro anunciou medidas sociais” e o artigo recente do ex-presidente Mário Soares, Ferreira Leite juntou agora aos seus argumentos o que disse ter sido o apelo do ministro dos Assuntos Parlamentares a “um cerrar de fileiras” dos deputados socialistas.

“Deixámos de ser aqueles que ‘vão falando’ para sermos aqueles com quem têm de contar”, considerou a candidata, para quem “não é por milagre que a sociedade portuguesa olha hoje para o PSD com outros olhos, mas sim porque começou a debater o país e a trazer à actualidade questões esquecidas”.

Manuela Ferreira Leite reafirmou ter posto na agenda política a questão social, “um problema sério que não nasceu há dias, já cá estava, mas do qual ninguém falava”, considerando que um dos erros do primeiro-ministro foi não ter adoptado medidas que, paralelamente às de médio e longo prazo para resolução dos problemas do país, permitissem aos mais desfavorecidos aguentar o embate da crise.

Classe média com “tendência para desaparecer”

Ferreira Leite considerou ainda que a classe média “está a ser altamente sacrificada e mostra alguma “tendência para desaparecer”. “Enquanto o Engenheiro José Sócrates se mostra muito preocupado com as grandes empresas e os grandes investidores, o PSD, se se quer preocupar com a classe média, deve virar-se para as PME, que são quem cria emprego”, disse.

Acusando Sócrates de ter feito uma “oposição irresponsável” aquando liderava a oposição, por “criticar medidas que sabia serem obrigatórias e com que mais tarde concordou, quando chegou ao Governo”, Ferreira Leite comprometeu-se a fazer uma “oposição responsável” caso seja eleita amanhã líder do PSD.

“Não devemos ter nenhum problema em concordar com medidas boas para o país, só assim teremos credibilidade para criticar as más”, frisou, defendendo que os partidos devem abandonar os comportamentos que levaram os jovens a “afastar-se da política”.

Ferreira Leite reafirmou a sua intenção de defender e promover medidas difíceis sempre que necessário e sublinhou que as pessoas que mais contrariou na vida foram os próprios filhos e não está arrependida disso.

Assimetrias regionais pouco combatidas

Recordando que o número de militantes do PSD ronda os cem mil e que os eleitores necessários para se ganhar umas legislativas é superior a dois milhões, a candidata defendeu que é para o exterior que o partido tem de se virar após a resolução da crise de liderança.

Apesar de ter reafirmado a sua oposição à regionalização, por “não estar convencida de que ela não iria agravar as assimetrias nacionais”, Ferreira Leite admitiu que até agora “fez-se muito pouco” para as combater.

Questionada sobre a lei eleitoral autárquica, cuja revisão estava acordada entre PS e PSD até Luís Filipe Menezes ter decidido suspender o processo, a candidata considerou que, “tal como estava gizada”, a nova legislação parecia “adequada”, mas não sabe se actualmente existem condições para a validar.

No local do debate, um restaurante-café completamente cheio onde pontificavam nomes como os ex-ministros Silva Peneda, Arlindo Cunha e Aguiar Branco, Rui Rio e Carlos Coelho.

(fonte:Publico)

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