Ferreira Leite diz que essencial é escolher protagonista que ganhe eleições.

30 de Abril, 2008 as 10:43 | Em Directas PSD |

A candidata a presidente do PSD Manuela Ferreira Leite defendeu na ontem que o essencial é o partido escolher um protagonista que ganhe eleições, sem o qual de nada servem boas propostas e uma boa estratégia. Questionada à entrada para a sua primeira acção de campanha sobre a sua definição ideológica, Manuela Ferreira Leite respondeu: “Eu sou social-democrata”.

A candidata à liderança do PSD decidiu simbolicamente iniciar a sua campanha com um debate na secção F de Lisboa, em que está inscrita. Vários militantes defenderam, no encontro, que o PSD tem de apresentar de forma clara as suas diferenças em relação ao PS. A ex-ministra das Finanças concordou que “isso tem de ser feito a seu tempo” mas destacou a importância de os portugueses terem “consciência de que é possível o PSD ganhar as eleições”.

“Se acharem que não é possível ganhar as eleições, que vamos lá simplesmente para marcar presença, bem se pode fazer propostas alternativas bem fundamentadas que não é por causa disso que se vai ganhar as eleições”, disse. “As propostas são com certeza importantes no sentido de marcar diferenças e de se perceber que há alternativas mas também as pessoas que as personificam”, sustentou.

Manuela Ferreira Leite afirmou, mais tarde, que o essencial para o PSD é decidir se vai ter ou não “um protagonista que vai ganhar eleições”, observando: “Pode ter uma belíssima estratégia protagonizada por alguém que não vai ganhar eleições nenhumas, que nunca na vida lá chega…”.

PSD tem de acreditar que ganha eleições

A ex-ministra das Finanças argumentou que o motivo de desunião do PSD e “o motivo pelo qual se têm substituído líderes é porque as pessoas interiorizam que aquele líder não vai a lado nenhum, é muito simpático, é bom, é tudo o que queiram mas ganhar eleições não vai ganhar”. “Aí é o fim”, afirmou, insistindo que o PSD tem de mostrar que tem “essa potencialidade” e não pode “assumir-se perante a opinião pública como hipoteticamente não podendo ganhar eleições”.

“Se eu também me convencer, ganhando as eleições internas do partido, que não conseguirei enfrentar o Sócrates e ganhar eleições, aí acho que devemos assumir e abandonarmos – mas só nessa situação, não há nenhum motivo para não levarmos as nossas responsabilidades até ao fim por haver vozes dissidentes”, considerou, criticando os líderes que se vão embora “só porque há umas vozes discordantes”. “Deitar a toalha ao chão não vai ser fácil, pela simples razão de que considero que isso não é assim na vida”, frisou.

Segundo Manuela Ferreira Leite, “não há união possível dentro do partido” enquanto os militantes tiverem a percepção de que o PSD não está “no caminho de ganhar eleições”. “Se existir esta ideia de que o partido pode ganhar eleições, de que nos apresentamos às eleições com o mesmo estatuto com que se apresentará o PS, se olharem para nós com tanto respeito e vendo em nós uma alternativa como vêem no PS, eu estou absolutamente convicta de que o partido todo se une nessa ideia e nesse projecto, que é no fundo o nosso projecto”, defendeu.

Manuela Ferreira Leite manifestou-se confiante de que “vai tirar o sono umas horas por noite” ao primeiro-ministro, José Sócrates, e de que “as coisas não vão ser tão fáceis quanto ele estava à espera no próximo ano”. No início do debate, Ferreira Leite reiterou que “foi uma decisão muito difícil” candidatar-se à liderança do PSD mas sublinhou que, uma vez tomada, não está “a fazer nenhum sacrifício”.

(fonte:Publico)

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